Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Crack - drama para a sociedade











"CRACKUDO: de VACILÃO a MORTO-VIVO" é o título de um artigo de Archimedes Marques, Delegado de Policia, Estado de Sergipe - Brasil (o menor do Brasil), Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela UFS.
A pedido de Archimedes Marques publico na integra o seu texto aqui, que acho de muito interesse para Moçambique. Na definição que ele apresenta, o crack é uma droga sintética feita a partir da pasta base das folhas da coca e acrescentam-se outros produtos altamente nocivos a qualquer ser vivo, tais como: ácido sulfúrico, querosene, gasolina ou solvente e a cal virgem, que ao serem processados e misturados se transforma numa pasta endurecida homogênea de cor branco caramelizada onde se concentra mais ou menos 50% de cocaína, ou seja, meio à meio cocaína com os outros produtos citados. A droga é fumada pura, misturada num cigarro comum ou num cigarro de maconha.

Na verdade estamos a falar de um tipo de droga, das mais letais de que se tem conhecimento.Os consumidores do crack são muitas vezes pessoas inocentes, sem conhecimento sobre os produtos letais de que o crack é composto.

Perante essa realidade não podemos ficar calados.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Um ambicioso nunca muda, mas sim muda de táctica

Já vai ao fim a campanha eleitoral. No dia 28 de Outubro os moçambicanos vão às urnas. Vão decidir quem serão os próximos deputados e membros das assembleias provinciais. Vão indicar quem será o próximo Garante da Nossa Constituição.

Formalmente somos o povo protagonista do nosso próprio destino. Mas quando aparecem altas figuras do partido no poder a afirmarem que mesmo com a dita democracia, o partido no poder dele não sairá. O que nos obrigam a pensar? Nada mais que concordarmos com Samora Machel quando dizia” Um ambicioso nunca muda, mas sim muda de táctica”.

Todos somos ambiciosos, porque um homem sem ambição é um ser morto. Mas uma ambição desmedida é aquela que matou Urias Simango, Lázaro Nkavandame, Filipe Samuel Magaia, Joana Simeão, Jorge Abreu, Eduardo Mondlane. Uma ambição desmedida é aquela que levou Adelino Guambe, Lourenço Mutaka, Fanuel Mahluza entre tantos a abandonarem a Frelimo da Luta Armada de Libertação Nacional e posteriormente serem perseguidos por esses algozes.

São esses que hoje mudaram de cor, tiraram a pele e nos cobram uma dívida que eles acreditam que nunca terminará. Os moçambicanos pagaram essa dívida com o seu sangue em M’tetela, pelos fuzilamentos públicos em campos de futebol ontem. Não bastou? E hoje mudaram? Desde quando nossos libertadores? Não acham que é com a dita democracia que nós nos consolamos? Se com a dita democracia nos fazem mostrar que nada faremos, o que querem que nós façamos para que reconheçam que o poder vos basta? Não acham que é com essa dita democracia que podem esconder a capa do comunismo stalinista?

Ontem mataram com Samora, depois o trairam porque havia deixado de albelgar os seus interesses, criaram o “acidente” de Mbuzini e hoje servem-se dele para promover a sua imagem. Anteontem mataram Mondlane porque era anticomunista, mesmo sem que ele tenha mostrado claramente isso. Depois eliminaram o seu Vice- Presidente Urias Simango. Hoje perseguem incansavelmente o seu sangue, a única recordação que podemos ter do Reverendo. Dos seus restos mortais nunca saberemos.

São eles que nos fazem acreditar que nunca irão deixar o poder, como se eles nele tivessem nascido, com ele tivessem crescido e com ele tivessem de morrer. Esqueceram-se o que Salazar dizia quando estavam nas matas. Esqueceram-se que Marcello Caetano não queria ouvir falar da Independência das colónias. Mas num dia hastearam a bandeira no Estádio da Machava depois de Caetano ter sido exilado para o Brasil. Esqueceram que o poder não é eterno, ele acaba de várias maneiras. Esqueceram-se que os que ficaram apegues ao poder por muito tempo perderam-no de forma desastrosa, ora por golpes, ora por derrota nas urnas (por cansaço dos eleitores), ora por imposição de outros dentro do mesmo partido.

Sei que por causa desse texto alguns me chamarão de saudosista ou ambicioso, mas não se esqueçam que é essa forma de pensar que queremos todos, eu e você, combater.

Acredito que um história bem contada para os meus futuros filhos lhes ajudará a discernirem melhor sobre quem votar. Eu que fui tantos anos enganado por essa “história oficial” (história lava cérebros) levou-me anos a pensar diferente. Mas tenho a missão de, no mínimo, transmitir aos meus filhos essa verdade, para que estejam sempre atentos à esses “arquitectos do bem estar dos moçambicanos”.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Meditações de Domingos Bihale


Publico a seguir na integra o texto de Domingos Bihale. Bom para leitura e reflexão. Quo vadis Moçambique?
"Vós sois os tais mandatários e donos da nação. Nós somos os tais vassalos, pagadores de tributos e escadas para subirem ao monte Sinai. Lá em direcção ao Canã onde patos geram riquezas. Recordam-se quando beijavam os nossos rostos assoreados pelo suor nauseabundo? Acho que não. A vossa memória é curta ou ficaram amnésicos mal que sentaram no Sofá de pessoas dinâmicas que gozam a vida.
De tempo em tempo nos enganam. Mentem para nós. Prometem, desmentem e nos tornam crianças menos pensantes ou juntas de bois de tracção. Batem-nos e tornam-nos escravos. Trabalhamos para vós, vossos filhos, vossos netos, vossos bisnetos, vossas famílias…Somos eternos vagões de votos para alimentar os gostos. Detergentes nós somos para limpar vossas sanitas por onde passam os dejectos de iguarias mais especiais e internacionalmente padronizados pagos com a nossa força, oh nossos dirigentes!
Tudo fazem em nome de heroicismo, patriotismo, exorcismo da pobreza. Sois combatentes tenazes da nossa indigência absoluta e sintética, doutrinários de combate ao burocratismo, deixa- andar e corrupção. Sois mensageiros, apóstolos e evangelistas do imperialismo. Sim doutrinários da auto-estima. Sois verdadeiros catedráticos da teoria das necessidades básicas humanas de Maslow.
Heroicismo? Patriotismo? Combatentes da pobreza? Professors da auto-estima? Não corruptos? Um herói não destrói o país dele. Não compra pão fora do país diariamente. Não vende as Forças Armadas nem o seu património. Não envia seus filhos para estudarem em escolas de renome internacional na América nem na Europa. Não confia em consultores estrangeiros nem em firmas estrangeiras.
Patriotas são os que tudo fazem para engrandecer a pátria. Morrem pobres como o fizeram Samora, Mondlane, Simango, Gomane, Guambe, entre outros. Patriota não é abutre. Não é corrupto. É uma pessoa sensata, culta, com cultura de Estado. Conhece as cores da sua bandeira. Valoriza as instituições da sua pátria. Não insulta nem descasca as instituições públicas nacionais fora nem dentro do país. É homem com identidade única e nacionalista. Tem consciência da sua nação.
Combatentes da pobreza? Como se combate a pobreza em carros de luxo, em jantares de gala, em hotéis de vinte estrelas situados no meio de maioria sofrida sem água potável nem luz, nem medicamentos e com dúvida permanente de sobrevivência? Puro engano! Destruam as vossas casas de luxo, vossos condomínios, vossos prados e avionetas particulares e construíam bairros. Abram furos da água, edifiquem escolas e hospitais, construíam estradas…lembrem-se que não somos pobres, temos mentes empobrecidas pela ganância e exploração do homem pelo homem.
Querem recrutar-nos para a luta contra a corrupção? Estamos prontos a combater. Mas, saiam de frente generais ambiciosos, gananciosos, aves da rapina. Devolvam tudo quanto roubam e vão festejar nas cadeias. Lá vão ter o Prémio Milionário Mo Ibrahimo, porque este prémio só ganham os que a melhor liderança mostram em frente do silêncio do poder – aquilo que fazem e não nos dizem e aquilo que nos dizem e não fazem. E como a corrupção é uma componente deste silêncio, com certeza vão ganhar.
Dúvidas não temos de que sois Professors de auto-estima. Ontem ensinaram-nos o Marxismo – Lenismo. Nós aceitámos e pobres vulneráveis que somos, seguimos. Afinal era uma estratégia para falirem todas as empresas. Elas faliram, estamos no desemprego perpétuo e vós sois PCAs e accionistas de tudo quanto se chama empresa. Venderam tudo: casas, empresas, material de guerra, as Forças Armadas, a Polícia, as armas, os Serviços de Informação do Estado, igrejas, escolas, programas de ensino, hospitais, sistemas de saúde, a justiça, o sistema de justiça, e a nós todos. Venderam o território, a população e a soberania. Venderam o Estado. O nosso Estado está vendido em nome de combatentes da luta de libertação nacional, da luta pela democracia multipartidária, em nome do combate a pobreza absoluta, em nome da auto-estima.
Por isso, combatem a corrupção depositando rios e rios de dinheiro que desaguam no delta dos Bancos da Suiça; defendem a qualidade de ensino em Moçambique, enviando os vossos filhos às melhores escolas e universidades dos Estados Unidos da América e da Europa; concedem bolsas de estudo a vossa família, aos familiares e amigos, numa perspectiva nepotística; paradigma de salve-se quem poder, cada um por si, Deus para todos. É lição de igualdade de oportunidades que aprenderam na luta de libertação nacional e nas matas de Gorongosa quando lutavam pela democracia. É o tal propalado patriotismo e auto –estima com que nos bombardeiam nos vossos discursos repetitivos. São bases de um futuro melhor que nunca tivemos, não temos e nunca teremos. É a democracia multipartidária de que julgam serem pais. É este o ideal de Eduardo Mondlane, de Urias Simango, de Samora Machel, Kankomba, Muthemba, de Joana Simeão, de Padre Gwengere, de Leo Mila, de Paulo Gomane, Lázaro Nkavandame, Mataka, Gungunhane, Farlai, Khupula Muno, Matsangaíssa, Njunga, anónimos …., nossos verdadeiros heróis."
Fonte da mensagem no blog de Domingos Bihale: http://angoni.blogspot.com/2009/10/meditacoes.html

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

A estranha história da Gripe A

Este é um título de um artigo publicado na barra juris, que revela resultados de um estudo realizado por Teresa Forcades i Vila, doutorada em Saúde Pública e em medicina interna. Os resultados do estudo são assustadores. Ela aponta factos estranhos e interesses obscuros por trás da suposta “pandemia”.

Eis o artigo de fundo.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Carta à Emília Moiane sobre o Diário de Campanha da T.V.M

Cara Emília Moiane.

Tenho a conhecido como uma das raras jornalistas com talento incomparável. Por isso não tenho esperado que nalgum dia esse talento tenha de ir água abaixo.

Assim, decidi escrever respeitosamente hoje para lhe pedir algum esclarecimento público.

Na verdade, havia decidido ficar em não escrever nada durante o período de campanha para ter o tempo suficiente para ler o que tanto se escreve na blogosfera acerca da eleições e da campanha eleitoral.
Mas algo me leva a não resistir para escrever algo: o Diário de Campanha da T.V.M no qual tem sido uma cara sonante, e que as vezes por exagero chamo “ O Diário de Campanha da Emília Moiane”
A questão é simples: Porquê é que sempre se dá primazia ao candidato FRELIMO no Diário de campanha da T.V.M? Sempre que inicia o noticiário sobre a campanha, começa-se pelo Armando Guebuza ou a FRELIMO. Qual é a lógica por trás disso?
Eu achava justo que ordem fosse, pelo menos, pela forma como estão posicionados os candidatos nos boletins de voto: Daviz Simango, Armando Guebuza e Afonso Dhlakama.

A Emília Moiane pode ter as suas razões que eu ignore até agora. Mas se tivesse singelamente que nos explicar para entendermos seria também uma nobre manisfestação de “patriotismo”.

Espero que essa carta chegue até si e que compreenda com sinceridade a necessidade de uma resposta às questões que levantei

Um abraço.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Depois de Montepuez e Mocímboa da Praia segue –se Milange: Qual a verdade sobre os factos?

A respeito das confrontações entre membros e simpatizantes da Frelimo e Renamo, no Jornal Nacional – T.V.M do dia 01 de Setembro, Édson Macuacua - da Frelimo e Fernando Mazanga disseram seguinte:
Edson Macuacua:
“ A Renamo não conseguiu reunir um número considerável da população em Milange, por isso pensou de que a Frelimo é que tinha criado aquela situação. Daí os seus membros foram invadir a sede do Partido Frelimo criando danos avultados. A sede do Partido Frelimo ficou parcialmente danificada. Até que o próprio lider da Renamo disparou um tiro num ar. Isso é inaceitável para um cidadão que pretende tornar-se Presidente da República”
Fernando Mazanga:
“Enquanto a caravana do Presidente da Renamo passava por uma zona de Milange, a Frelimo mandou crianças usando camisetes do Partido (Frelimo) e as quais começaram a vandalizar os membros e simpatizantes da Renamo. Face a isso os membros da Renamo prontamente reagiram, perseguiram os malfeitores até à sede da Frelimo. Da sede da Frelimo sairam pessoas disparando contra os membros e simpatizantes da Renamo.” O Sr. Mazanga não confirma se o Presidente da Renamo disparou um tiro no ar.
O Jornal Notícias do dia 02 de Setembro vem com o seguinte título:
Milange: Guardas de Dhlakama destroem sede da Frelimo
“QUATRO militantes da Frelimo em Milange, província da Zambézia, ficaram feridos, dos quais dois em estado grave, como consequência do vandalismo e actos de violência protagonizados segunda-feira por guardas do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, contra populares no mercado de Majaua. Informações em nosso poder dão conta de que da acção dos seguranças de Afonso Dhlakama, para além de feridos e destruição de produtos dos vendedores locais, também resultou na invasão e destruição da sede do partido no poder naquele ponto do país, numa acção em que o próprio líder da Renamo foi o autor de um tiro disparado ao ar, como sinal de ordem para o assalto”

Essa é uma verdadeira anedota mal contada. O que mais interessa os actores políticos é a propaganda política, ou seja, deturpar os factos para obter a opinião pública a seu favor. A situação é pior ainda quando é a própria imprensa que avança a deturpar os factos, pondo milhões de moçambicanos num abismo total. Porquê é que não podemos conviver pacificamente? Nessa história sempre cada um quer ser vítima perante a opinião pública. Ninguém está interesado no esclarecimento dos factos para fornecer à verdadde aos moçambicanos.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

Alarme de um amigo: O Acórdão do Conselho Constitucional (Acórdão 08/CC/09 de 14 de Agosto)

Saiu como uma bomba a notícia de que haviam sido apurados três candidatos para as presidenciais de Outubro próximo. Não levou muito quando encontrei o meu amigo Humberto e começamos a comentar sobre ao assunto.

O meu amigo aparentava estar tão estupefacto com a notícia e desatou a comentar:
“ Sabes eu já sabia que isso seria assim. Alguns cidadãos foram depositar as suas candidaturas, mesmo sabendo que não tem potencialidade nenhuma para chegarem à Ponta Vermelha. Tudo o que queriam era beneficiarem-se dos fundos de apoio aos candidatos e depois injectarem no seus negócios. E também eram muitos pá. Ouviste que o Dhlakama passou pela tangente? Por pouco ia para o chão. Até penso de que o Conselho Constitucional passou por cima para evitar guerra e alaridos. Esse homem iria mobilizar mais uma caravana de assassínios contra Daviz sabe? Já que ele pensa de que Daviz é o promotor de todo o mal que se passa no seu partido.”

Quis interropmper o meu amigo Humberto para esclarecer-me de algo. Mas o meu amigo nem um segundo me deu e continuou:

“ Mano, espera que vais ter o teu tempo de comentar. Eu só queria te alertar para não ficares enganado com esses Juizes do Conselho Constitucional. Ouviste o que disse Raúl Domingos? Esse acórdão do C.C é politico. Porque veja-la: Se eles não apurassem o Daviz, bem sabem que iriam ferir a juventude em todo o país. Os jovens gostam muito de Daviz. Ele é o messias para resgatar a nossa identidade e a convicção de ser moçambicano. Com ele, nós podemos. Sim podemos (Yes, we can). Sabes, não havia como não apurar Daviz. Mesmo o juizes do C.C gostam dele, mas não podem manifestar isso perante o chefe que os indicou para a posição. Só que esses pecaram um pouco. Deviam ter deixado o mano Dhlaka cair de vez. Ai sim. Haveria fogo cruzado de verdade em Outubro. Mas tudo isso indica que Daviz será o próximo líder da oposição em Moçambique e em 2014 será o primeiro Presidente não Nachingueyano de Moçambique”

Porque o comentário do meu amigo Humberto parecia não ter fim, comecei a dar sinal de pouco interesse no assunto. Mas logo que ele deu-se conta disso, deixou o “pódio”.
Contudo fiquei numa confusão com os comentários do meu amigo e quis que ele sustentasse as suas afirmações, sob o risco de não serem diferente do pensamento popular. Mas depois pensei: “ Um simples comentário”. Não adiciona nem tira nada.
Mas não deveria deixar o “pódio” sem alguma palavra ao meu amigo Humberto:

“ Sabes Humberto, podes ter razão no que dizes. Mas a verdade é que o Conselho Constitucional é o órgão de soberania mais respeitado de Moçambique, pela forma séria como trata os assuntos a ele submetidos. Esse acórdão pode não fugir da regra. Parece-me um acórdão sério. Um acórdão que educa as pessoas a pensarem seriamente o que representa ser candidato à presidência república. Contudo, tecerei mais comentários nos próximos dias se tiver acesso ao acórdão e analisar bem os factos e documentos relevantes”

Foi um encontro casual com o meu amigo Humberto, mas foi interessante. Logo de seguida cada um foi seguindo o seu percurso. Trinta segundos depois ouvi de novo o meu amigo: “ Bom fim de semana mano, voltamos a falar na segunda feira.”



P.S: Porque os comentários do meu amigo Humberto deixaram-me sem sossego, procurei pelo acordao acórdão no site do C.C e ei-lo aqui.